BRANCOS LENÇÓIS

Sobre os brancos lençóis da nossa cama, tomo tuas mãos úmidas e trêmulas, que percorrem meu corpo, como se estivessem lendo
 sobre o braille, e beijo-as como se santas fossem. Sinto desejos, vontades, calafrios, tudo fica azul, mas que importa a cor do amor? Na penumbra, a luz difusa do luar que invade o quarto, ilumina a cama, faz-me ver fantasmas bailando ao som da tua voz rouca e suave que murmura sons indistintos ao meu ouvido. Todos os cantares desse sentimento contido, secreto, esperado e exasperado. Toda a angústia  da espera, toda vontade de ficar contigo, toda vida, sempre tão contida, explode mil vezes dentro de mim, derrama, esparrama e perfuma, mexe com sentimentos adormecidos tentando revivê-los, expõe a flor da vida,
floresta densa de palpitações, chuva fresca ao amanhecer, orvalho beijando a folha, luz do sol que ilumina nossos dias. Suavemente encosto meu peito nu sobre o teu, tão suave e leve! Parece um sonho. Aquele sonho mil vezes querido,  mil vezes desejado, mil vezes sonhado.
Meus olhos procuram os teus. Estou louca. A loucura da música faz-me ver o que não há. Como ver teus olhos? São como os meus, certamente. Indistintos. Um tremor, mais outro, um gemido, um grunhindo meio choroso e quente, ouço música, os mais puros sons que a natureza pode harmonizar numa escala crescente, decrescente, num subir e descer alucinado de corpos e vozes, num ballet louco e rítmico, tantas vezes ensaiado e apresentado sobre os brancos lençóis da nossa cama..

 

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