DIREITO AO DELÍRIO

Que tal começarmos a exercer o direito de sonhar?
Que tal se delirarmos um pouquinho?
No próximo milênio, o ar estará limpo de todo veneno, o televisor deixará de ser
o membro mais importante da família, as pessoas trabalharão para viver, em vez de viver para trabalhar.
Os economistas não chamarão nível de vida o nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida a quantidade de coisas.
Ninguém será considerado herói ou tolo só porque faz aquilo que acredita ser justo, em vez de fazer aquilo que mais lhe convém.
A comida não será uma mercadoria, nem a comunicação um negócio, porque comida e comunicação são direitos humanos.
A educação não será um privilégio apenas de quem possa pagá-la.
A polícia não será a maldição daqueles que não podem comprá-la.
A justiça e a liberdade, irmãs siamesas condenadas a viverem separadas, voltarão a juntar-se, bem unidas ombro com ombro.
E os desertos do mundo e os desertos
da alma serão reflorestados.

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