SINFONIA INTERROMPIDA

Em meio ao tempo corrido da rotina de trabalho, finalmente consigo um tempo para desabafar. Mesmo que ninguém leia este desabafo, eu o escrevo. Não escrevo para os outros, mas para mim mesma. É através dos meus textos que os meus medos, anseios, sonhos e emoções tomam forma e com isso posso ver o que há em meu interior. Ultimamente tenho passado por uma espécie de bloqueio no qual não conseguia me expressar como de costume. Creio que as circunstâncias que sob revieram após suscetivas falhas de manter um relacionamento quase acabado me fizeram perder alguns dos meus sentidos. De repente o azul do céu limpo  se tornou sem vida, sem graça, e com isso os meus olhos passaram a enxergar apenas o que a minha tristeza queria enxergar. Como pode alguém nos fazer tão mal com um simples adeus? Foi extremamente duro ouvir tal palavra, mas hoje acho que me acostumei. Será?

A minha viagem para a Inglaterra se aproxima e com ela, o sentimento de visitar a terra da amada pessoa que um dia me disse o tão temível adeus. O coração aperta em saber que esta poderá ser uma GRANDE viagem ou simplesmente uma VIAGEM grande. Aos poucos tento me conformar com a ideia de não tê-lo esperando por mim no aeroporto. Me lembro como se fosse ontem das vezes em que conversávamos sobre o dia de nosso grande encontro: Eu, desacostumada com o clima e sentindo-me uma estranha, chego no aeroporto coberta da cabeça aos pés por causa do frio. Após passar pela imigração e receber o carimbo da liberdade em meu passaporte, sigo em direção aos seus braços. Com o coração apertado e batendo extremamente forte, chego ao portão de desembarque procurando aquele rosto que há muito havia sido o meu sonho de inúmeras noites. Em meio a uma multidão de outros também estranhos, o vejo. Com um belo sorriso em seu rosto tão delicado e a sua pele branca reluzente nas luzes daquele espaço físico, o vejo vindo em minha direção com um olhar ofegante de amor. De repente o mundo para à nossa volta e os únicos movimentos que sentimos são os dos nossos pés correndo para os braços um do outro. Uma vez abraçados, as lágrimas amorosas de felicidade jorram pelo nosso rosto num hino ao fim de nossa angústia, e sem hesitar, o confortante tocar de nossos lábios separados pelo oceano. Nessa hora, em uma questão automática, os nossos lábios silabam: Enfim juntos!

Essa seria uma grande história de amor, e ao sair do aeroporto ela se repercutiria por longos dias frios porém, aquecidos do sentimento mais belo do mundo. Mas tal sinfonia foi interrompida. E hoje a única coisa que me resta é um último email dizendo adeus.

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