SIMPLES ASSIM…

Tem um segredo que as pessoas não contam, pois tem muita gente que não daria conta de digeri-lo: a sua vida pode ser do jeito que você quiser. Sem melodramas, sem discursos poéticos, sem sermões. O fato é que todo mundo nasce com livre arbítrio e vai construindo sua vida, escolha após escolha. Se você parar pra pensar e voltar no tempo, vai conseguir reconhecer e identificar todas as ações que te trouxeram até o exato lugar em que você se encontra hoje. Ora, mas então se somos realmente senhores do nosso destino, então porque tem tanta gente frustrada e infeliz hoje em dia? A grande variedade de opções à nossa disposição nos dias de hoje dificulta ainda mais as nossas escolhas. É como estar morrendo de fome, mas se perder em meio de um bairro com um restaurante a cada esquina – sua fome é real, mas você não sabe o que quer: você tem fome do quê? você tem sede do quê? Sem conseguir responder a essas perguntas, você rodará eternamente entre os restaurantes mexicanos, italianos, indianos, brasileiros, mas não conseguirá saciar a sua fome, pois você não tem ideia do que quer comer. Funciona assim também na área dos relacionamentos. Vemos a nossa volta um mar de gente linda, moderna, com bons empregos, com dinheiro, mas tudo isso não faz sentido algum se elas não sabem o que buscam. A moça arruma o cabelo, compra roupa, põe silicone, malha, faz as unhas, se equilibra num salto 15, mas chega na balada e, por não saber o que procura, só vai nos caras errados. Por falta de olhar pra dentro dela mesmo e de descobrir do que seu coração necessita, ela ignora os apelos do seu ser e vai em busca do que é considerado como modelo pela sociedade – o cara de carro do ano, gel no cabelo, braço forte, camisa polo. Ela não buscava isso mas como não sabe o que busca, se joga no vento, vai como um veleiro pra direção que a vida decidir levá-la. E depois ela chora, se lamenta, fica deprê no sábado a noite comendo pipoca sozinha quando as baladas já não a satisfazem mais. Não que há algo de errado em sair, beber, dançar, fazer aquela sessão descarrego tão necessária, mas esse tipo de programa só alimenta uma parte muito superficial do seu ser. Quando o som acaba, quando as luzes se apagam, quando o álcool do seu corpo se estabiliza depois do hot-dog prensado, então o vazio fica desesperadamente maior – a solidão ecoa no peito, obrigando a moça a sair de novo para não ouvi-la. E assim começa-se um ciclo de ilusões e de buracos no peito. Ah, os buracos no peito. Eles são sempre mais profundos do que você permite-se reconhecer. Se você não cuida, seu peito fica pior do que as ruas esburacadas de São Paulo. Vem a prefeitura, dá uma arrumada de leve, cobre superficialmente os buracos. Por fora, o asfalto é um tapete. Por fora, os que vêem seu sorriso nem imaginam a profundidade dos buracos que carrega por dentro. E depois de alguns dias, depois de serem pisoteados de novo, os buracos se abrem novamente, dessa vez mais profundos, mais machucados, mais difíceis de serem tampados. E você só pode fazer alguma coisa a respeito quando descobrir o que busca. Então, vai menina, desce do salto, larga o batom, mostra as olheiras, deixa seu cabelo natural se esvoaçar no vento. Não gaste muito tempo se preocupando com o corpo, porque a terra vai se ocupar dele cedo ou tarde – com ou sem maquiagem. Olha um pouco pra dentro, pra o que importa, pra sua alma que há tempos tenta ser ouvida. Desliga o som, fecha os livros, sai da frente da TV. Ouve aquele clamar que ninguém sabe explicar, mas que vem de dentro. E cuidado com a mente – ela abafa os clamores do coração. Não se perca na busca, nem desista dela. Pare somente quando descobrir o que buscas, o que te alimenta de verdade. Será mesmo que esse trabalho que te prende 14 horas numa sala fechada te faz feliz? Será que homem que diz que te ama mas que te valoriza mesmo pela sua bunda, merece fazer parte da sua vida? Será que esse curso vale mesmo a pena somente por um diploma pendurado na parede? Pra essas perguntas, não existe gabarito – só você poderá respondê-las verdadeiramente. E quando você descobrir o que procura e soltar um grande foda-se para os padrões que o mundo inteiro tenta te convencer a seguir, você então vai descobrir que a vida é boa, que é bela, que pode ser o que você quiser. E aí então, você vai querer lamentar pelos dias perdidos na escuridão – faça-o, mas não perca muito tempo revivendo o passado. Agora você já sabe – o presente é bom demais para isso.

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