Arquivo | abril 2013

AINDA TEMOS TUDO

amor

O que restou da gente?, comecei me perguntando. Dos encontros que podíamos ter, já não temos. Das conversas em que ouvia sua voz assim que ligava, agora só com hora marcada. Dos nossos papos mais ardentes, agora só tenho um relatório de com…o foi seu dia e você descobre como foi o meu pelas palavras automáticas e conhecidas que voam pela tela do computador disputando espaço com outras coisas mais piscantes. Essa distância é uma merda. Claro que confio o suficiente para saber que você está aproveitando. Confio no seu gostar de viver a vida. Se vai me contar o que faz ou não é problema seu e da sua consciência. Afinal, eu daqui pretendo não te contar todas as vezes que chorei por sua causa. Nem mesmo se no meio desse e-mail eu parar de escrever só pra ir ao banheiro. Pior é quando chega a madrugada. Na calada da noite, saudade invade meu quarto pela fresta da porta que está trancada. Puxa o lençol, se deita do meu lado e eu posso ver os olhos grandes com o sorriso amarelo de quem sabe que vai me deixar acordado até de manhã. Queria te escrever, mas não devo. Queria te gritar, mas não ouviria por motivos óbvios. Queria te ligar, mas nem isso mais eu posso. Nem ter o direito de te perturbar eu tenho. Sou uma insone sentimental sentada à mesa do computador com um copo de qualquer suco que tenha na geladeira e medindo as palavras numa mensagem que não vai dizer metade do que eu quero. E que eu mal sei se vai ler. É capaz de ver meu nome no remetente e descartar. Chegar até aqui será um luxo que eu vou deixar minha imaginação se permitir. O que a gente tem, então? Não sei, mas acho que está sobrando uma coisinha que a gente chama de amor. Aliás, eu chamo de amor. Você fala que é um incômodo porque não te deixa viver melhor o que quer aí. Bom, se ainda resta um sentimento, eu vou lutar. Não por você, que parece não merecer metade do que eu sinto, mas porque eu não escolhi gostar. Gosto, admito, sinto, e por mais que a razão diga que não deveria, eu ainda te quero. Temos tempo e amor. Acredite, ainda temos tudo.

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BONS AMIGOS

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Três batidas na porta, o toque já conhecido da campainha e ele entrando correndo casa adentro. Parece um furacão. Derruba um copo, escorrega na água que molhou o chão e cai, com sorte, sobre o pufe que está encostado na parede. Levanta-se, pragueja algumas coisas que não entendo e, quando peço pra se sentar, me manda à merda. Diz que está nervoso mesmo e que não quer se acalmar. Brigou com o nova namorada. Entendo. Espero uns dez minutos até que realmente possamos conversar. Depois de xingar a menina de tudo quanto é nome, me conta que descobriu algumas mentiras. Eu já menti pra você, digo. Ele ri, diz que é diferente. Eu sou sua melhor amiga, posso até mentir às vezes se não fizer mal. Mas que iria cobrar explicações. Agora, ela era a menina  dele, gostava dela. Num segundo consegue numerar diversas qualidades. Sinto ciúmes. Eu também o faço rir, faço bem. A menina não era nada  demais. Era mais um dos problemas que ele trazia pra que eu o ajudasse resolver. Me sinto mal quando ele faz isso e me coloca no devido lugar. É como se nada pudesse crescer dentro de mim. Somos amigos. Ponto. Confesso que é difícil imaginar alguma coisa entre a gente. Os amigos dizem que combinamos. Que sou tipo um anjo na vida dele. Ele, inclusive já disse isso. Sentado, mexe no celular a procura de alguma mensagem. Conversamos coisas mais amenas agora.
Num segundo em que vou no quarto pegar algo para mostrá-lo, ouço uns soluços. Começou a chorar. Pego um copo com água e açúcar, envolvo-o em meus braços e digo que tudo vai ficar bem. Não sei em que momento acontece, mas a gente se beija. Simples, bonito e um desejado beijo entre dois amigos. Preciso ir, diz. Na mesma velocidade em que entrou, se vai. Sem compreender direito o que houve, me pego olhando pro espelho e, agora, quem xinga sou eu. Não aceito o que fiz. Como pude ter avançado, ido tão longe? Eu não precisava estragar tudo. Tento refazer os poucos segundos que passamos com as bocas juntas e relembro uma mão em minha nuca, um morder nos meus lábios. Ele queria o beijo, penso comigo tentando me convencer. A consciência sente dor. Não marco o tempo. Sei que o telefone toca. Abre a porta, diz a voz dele do outro lado da linha. Por que você não toca a campainha e vem fazer um estrago na minha vida de novo?, pergunto. Porque você acabou de estragar a minha, ele responde. Pelo olho mágico eu o vejo. A fechadura anseia ser virada. Ele está em pé, me olha de cima à baixo. Como eu demorei tanto a perceber?, cada um se pergunta. E eu descubro que além de poder ser sua grande amiga, eu posso ser seu grande amor.

SEMPRE ASSIM…

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Primeiramente, você chega na balada e observa que metade das mulheres estão com um vestido de elástico, usando o insistente perfume 212, Angel ou Light Blue. Mas até aí tudo bem, pois o uniforme faz parte. Não muito distante disso, você vê …alguns homens com uma camisa polo e um cavalo gigante no peito, perfume one million. Alguns gastando dinheiro que não tem, outros gastando por gastar e outros como eu agora, pensando em como funciona tudo isso.. Nesse instante por algum motivo você se sente diferente daquelas pessoas. Culturalmente instruídos a sempre segurar um copo na mão seguimos o nosso caminho em busca de algo que no fundo não sabemos se realmente faz sentido.   Alguns caras querendo se divertir e outros numa disputa inútil para ver quem é o mais frouxo. Frouxo simplesmente por não conseguir pegar uma mulher só com o papo, por não saber jogar esse jogo de homem pra homem, mas novamente até aí tudo bem.. pois cada um usa e atira com as armas que tem.   Em meio a tudo isso, me pergunto: onde está a conquista? Cadê o charme?   O ato de arrancar um sorriso sincero? Ficar com a mulher por ter falado a coisa certa na hora certa, sem sensacionalismo. Só acho que as coisas estão perdendo um pouco da graça. Então depois de consecutivas experiências dessas, você acaba vendo que o mundo de balada é muito limitado e o mais importante, que o que você tanto procura, não está e nem estará ali.   De forma alguma estou dizendo que não gosto de balada, ou que balada é algo de pessoas “vazias”, mas infelizmente na maioria das vezes é isso que eu vejo, mulheres que só querem levantar seu ego ou serem bancadas a noite toda e homens que acham que baixar um litro de bebida lhe faz ser o “top” da festa.   Cada vez mais as pessoas têm a necessidade de mostrar ser uma coisa que não são, viverem algo que não querem para se adaptar ao mundo pobre que a noite oferece e   agora só falta elas perceberem que isso não leva a lugar nenhum, que balada alguma te fará sentir o abraço quente de alguém que te ama, o beijo que faz delirar, o companheirismo de quem realmente se importa. Enfim, hoje eu vejo que o acontece durante as várias baladas da vida, devem permanecer ali e na maioria das vezes, ser esquecido porque nunca nos levam a lugar algum, mas traz arrependimento e saudade do tempo em que éramos realmente felizes e não sabíamos.   Chegamos num ponto, onde máscaras valem mais do que expressões, garrafas de bebida valem mais do que apertos de mão e companhias falsas valem mais do que uma conversa sincera com a menina que te faz tremer e que infelizmente não está ali, diante dos seus olhos como tantas outras sem valor algum.   Por fim entenda que você pode ser uma pessoa super charmosa, educada, inteligente ou qualquer outro adjetivo, mas se a outra pessoa não for equivalente, ela não irá perceber o quão valiosa você é, e pode acreditar, nesse ambiente você não tem nenhum valor.

EM FRENTE…

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No tenha medo de voltar. Não tenha medo de errar. Não tenha medo de tentar ser o que você sempre quis ser e sonhou. A gente passa a vida inteira para descobrir quem realmente é, ou quem realmente poderíamos ter sido. O mundo é cruel e nem sempre vai te ajudar, te dar apoio, mas sempre vai existir uma mão pra segurar. Ou, ao menos, vai existir um lugar para onde você possa regressar.

A vida não é conquistada por aqueles que não desistem, mas por aqueles que aprenderam que alguns caminhos podem ser sem saída e dão passos para trás a fim de dar outros para frente. Talvez isso nem ao menos possa ser chamado de desistência. Acreditar que outra trilha pode ser melhor é saber por onde os sonhos conseguem fluir. E algumas coisas a gente não abre mão, elas se perdem por conta própria.

Só quem conquista é lembrado. Quem morre tentando, quem fecha os olhos e não quer mais aquilo, quem chegou perto, nenhum desses é lembrado. Infelizmente, nem todo mundo consegue ter o que deseja, mas algumas vezes acabamos tendo um pouco para viver. Não é se conformar, é aceitar que pode se continuar tentando, mas feliz com o que já se tem.

Pessoas acordam todos os dias pensando em fazer diferente, em chegar em algum lugar diferente. E o pensando precisa ser esse mesmo, mas não tenha medo. Se apóie em alguma coisa, vá o mais longe que puder, nunca esqueça o que lhe foi ensinado por seus pais, mestres, professores. Por mais longe que esteja, por mais brilhante que seja o céu, ou por mais escuro que o momento pareça, o que você carrega dentro de você, sua motivação e disposição, sempre farão diferença.

Independente de onde esteja, independente de quantos acertos te separam do objetivo ou quantos erros ainda serão cometidos, independente de quantas milhões de milhas um sonho pareça estar, independente de ser cedo ou tarde. Você sempre vai poder parar um pouco e avaliar a jornada. Se você fizer o que é certo pra você, vai adorar estar aonde está.