Arquivo | janeiro 2012

SERÁ QUE SEU TAMANHO É DOCUMENTO?

Esse é um espaço para tirar aquela dúvida sobre sexo que você não tinha coragem de perguntar para ninguém. A pergunta recebida é a seguinte

Mulheres realmente se importam tanto com tamanho do menino? Quantos centímetros seria considerado um tamanho satisfatório?

Essa sua pergunta já foi feita mais vezes do que a do ovo e da galinha. Todo homem, por mais que se olhe no espelho todos os dias, tem uma certa encanação acerca do tamanho do pau. E por mais que já se tenha sido dito que a performance conta muito mais que os centímetros (ou que a falta deles), tem homem que não se dá por convencido. Então vamos lá:

 1- De acordo com dados médicos, um pênis médio ereto tem entre 11 e 17 cm. Ou seja, se você tem um pênis que, ereto, mede mais de 17 cm, você pode se considerar um sujeito de pau acima da média.

2- Se o seu pau, ereto, mede menos de 11cm, você, de acordo com o padrão das medidas, tem um pau pequeno. E se sua régua não vai além dos 7cm, você se encontra na classificação de micro-pênis – únicos casos para os quais procedimentos cirúrgicos para aumento do membro são indicados.

3- Se enquadrou a categoria dos pequenos? Calma, ainda tem jeito:  Se aprofunde no Kama Sutra. Você precisa conhecer as posições mais favoráveis para o tamanho do seu instrumento.

4- Seja o Deus do sexo oral. Não há mulher que fique insatisfeita se o cara não representa nos centímetros, mas manda muito bem no sexo oral e na pegada.

5- Tenha um vibrador em mãos para fazer uma surpresinha de vez em quando. Não precisa ter medo dele – vibrador não ajuda a pagar as contas e nem faz cafuné depois do sexo.

6-  Todo mundo sabe que homem de pau grande tem em todos lugares – homens com cérebro+caráter+pegada são raridade.

Boa sorte!

NOSSO AMOR (DENTRO DOS MEUS OLHOS)

 

 

Vou te contar, meu amor, porque te acho o homem mais interessante do mundo:

Primeiro, naturalmente, porque você tem esses olhos que não param de brilhar, e porque ainda não descobri se eles brilham incansavelmente ou se ficam mais brilhantes quando olham pra mim.

Depois, porque você tem essa boca tão macia que é só sua – e deliciosamente minha também nos últimos meses. É uma boca que começa fininha em cima e que vai crescendo embaixo, numa combinação que me deixa maluca toda vez que a encosta em qualquer milímetro do meu corpo.

Tem também o seu cabelo que, de tão fino, insiste em cair no rosto, o que faz com que você fique inutilmente tentando deixá-lo pra cima. E nessa hora, eu aproveito pra sentir seu cabelo macio na minha mão, com a desculpa de que vou dar um jeito nele – o que nunca acontece. Nem com silicones mágicos. Sorte sua, que fica lindo desse jeito.

Depois tem a suas mãos, que tenho a impressão que estão sempre quentes. Quentes e grandes, e assim conseguem ter o que quiser de mim. Mãos poderosas, com dedos igualmente poderosos, que me levam pra lugares que nem sei explicar.

Tem também o jeito que você me beija, que pode ser diferente dependendo das suas intenções. Tem aquele beijo que devora, que entra lá no fundo, que engole. Tem o beijo lento, que caminha por cada canto da minha boca, paciente, sem pressa. Tem até beijo no nariz, que é mais poderoso do que um “Te amo”.

Tem o jeito como você me olha quando entro no carro as sextas-feiras. Uma olhada com saudade, que sempre me lembra como é bom te encontrar de novo. Tem também aquelas vezes que te pego me olhando e que me divirto tentando imaginar as indecências que passam pela sua cabeça nessas horas.

Tem também a forma como você me enxerga – inédita e só sua. Uma forma engraçada porque muitas vezes mostra coisas que nem eu tinha visto. Uma forma que motiva, inspira, conforta e incomoda muitas vezes também – porque pega no íntimo, em coisas que são difíceis de cutucar, mas que você faz com maestria. Você me enxerga mais e melhor do que os outros.

Tem também o jeito que fala e mexe as mãos sem parar, principalmente quando está empolgado com mais uma das ideias brilhantes que surgem na sua cabeça. E o jeito que você fala do seu trabalho, dos seus sonhos, da nossa casa na montanha.

Tem o jeito que tira o sarro de mim quando fico com sono depois do segundo copo de vinho. E o jeito lindo que deita na cama depois de mim e me abraça gostoso, mesmo eu tendo te abandonado sozinho logo no começo da noite.

E também tem o jeito que dorme comigo. Tem o jeito que me abraça de conchinha ao mesmo tempo que encaixa todo o resto do corpo no meu, como um quebra-cabeça. E nessa hora, aproveito o silêncio pra sentir e escutar você pegando no sono e respirando na minha nuca.

Tem também as deliciosas e intermináveis horas que passamos de manhã na cama, que é o único jeito de me fazer gostar de ficar deitada quando acordo.

Tem também o jeito como vem me falar indecências no pé do ouvido,  com aquela voz que me deixa maluca só de escutar. E como, mais tarde, aplica tudo aquilo que disse, de um jeito só seu. E tem o jeito que aprendeu rápido demais como eu gosto de sentir prazer.

E, finalmente, mesmo podendo ficar aqui listando muitas outras coisas, tem o jeito como você me surpreende e me apaixona todos os dias, me trazendo a sensação de que a vida é boa, e linda, e apaixonante – como você.

SOU UMA ROMÂNTICA SEM CURA


Desde menina sempre curti histórias de princesas e príncipes encantados. Cresci ouvindo Tom Jobim, em meio a citações de Shakespeare e Camões, poesias de mamãe e a magia do teatro. Minha infância foi encantada, lúdica, doce… e todas estas experiências me fizeram acreditar no poder das palavras, de pequenas gentilezas, do carinho, cuidado e sobretudo, do amor.  Para ser sincera – em relação a relacionamentos -muitas vezes me sinto como se estivesse no século passado– retrasado, vai.

Para mim, um beijo tem muito mais do que troca de salivas, chupadas, língua com língua, tesão. Um beijo tem troca de sentimentos, química, desejo, carinho, envolvimento, paixão, loucura, encantamento. Nunca me imaginei beijando alguém se não sentisse um frio na barriga, coração palpitando – te parece careta? Para mim não é. E quer saber? O romance não é feio e nem bobo. Ele é incrível, envolvente, sedutor, entorpecente e vale muito a pena ser vivido.

Tudo bem, você pode dizer que estamos no século XXI, desprendidos de tabus e preconceitos, em tempos de sexo livre e sobretudo, cada vez mais mergulhados em agendas insanas no trabalho – buscando nos destacar de alguma forma em meio a tantas novidades e bombardeios de informações. Neste cenário frenético muitas vezes parece mais conveniente satisfazer nossas vontades e instintos sem ter de nos dedicar tanto a pequenos detalhes, como a conquista, o cuidado, a atenção e a entrega.  Mas estes pequenos detalhes fazem toda a diferença e transformam instinto em sentimento, prazer, realização, cumplicidade e felicidade. Isso te fará uma pessoa mais completa, acredite – não é idiotice.

Quem não gosta de uma ligação carinhosa no meio do dia? De um presentinho fora de data, de gentilezas e demonstrações inesperadas de afeto? Adoro ler as entrelinhas de um beijo demorado e molhado. A respiração ofegante, o toque, a pegada… tudo intenso, louco, mas nem por isso instantâneo, vazio. Para mim, tudo tem sabor de poesia.

Buscar e querer viver um romance não significa fraqueza emocional, carência…nada disso. Significa querer mais e melhor. Significa que você está preparado para se entregar e dividir carinhos, atenção, cuidado e prazer com outra pessoa que te faz sentir o tempo parar, a voz tremer, o coração bater diferente, o corpo arrepiar. Com alguém que acrescente mais emoção e prazer à sua vida.

Algumas sensações e reações que fazem toda a diferença:

Cuidado e Entrega

Não existe nada mais excitante do que um homem que te faça sentir única. Que se importe com seu prazer, que observe seus desejos e queira satisfazê-los, simplesmente porque isso o satisfaz também.

 

Sintonia

Quando existe romance as palavras são dispensadas. A gente sabe exatamente  o que o outro quer apenas com um olhar, um gesto. A gente não tem vergonha de pedir e nem de fazer nada, simplesmente porque rola química e cumplicidade em cada toque. Isso é pura poesia!

Vontade de ficar perto

Depois do sexo a gente não sente vontade de sair correndo, porque não era só gozar o que importava. A gente pode descansar no colo um do outro, sentir o cheiro do suor  e da mistura de nossos perfumes, ganhar um cafuné, trocar olhares , dormir um pouco e acordar querendo mais.

Ser Parte do outro

Descobrir que temos muitas coisas em comum, milhares de discordâncias e que talvez por isso desejamos tanto um ao outro. Descobrir que nos admiramos na cama e fora dela. Que nos completamos de uma forma incrível e que curtimos isso.

Não precisar jogar

A gente liga, manda email, torpedo… a hora que tiver vontade, sem medo de ser inconveniente, sem joguinhos de sedução, sem máscaras. E quando conversamos, o desejo é explicito em nosso timbre de voz, que vibra de vontade de estar perto. Pode ser que uma transa casual traga uma sensação selvagem de descompromisso, mas ainda assim, não me encanta. Prefiro a intimidade, a cumplicidade. Descobrir a cada dia caminhos que intensifiquem o prazer do outro, a entrega, o orgasmo mais incrível – e isso obviamente não se conquista com casualidades. Talvez você ainda não tenha encontrado alguém que valesse a pena, ou que tivesse um encantamento tão profundo que te fizesse querer mais do que uma transa. Talvez esteja achando tudo isso aqui uma grande balela, ou não. Mas seja como for, certamente este dia vai chegar e você vai entender como estes sentimentos deliciosos são incuráveis e nunca mais se contentará com nada mais, nada menos do que um indescritível e apaixonante romance.

(NEM) TUDO EM EXCESSO FAZ MAL

 

Dizem por aí, que não tem coisa pior pra uma escritora, do que a felicidade. Porque poesia pra pegar lá no fundo, tem que vir sofrida, derrotada, doída. Ironicamente, a dor que estraçalha a vida real, é combustível essencial pra aquele que escreve. Porque escrever é exorcizar seus demônios – a escrita agarra tudo aquilo que machuca dentro, trás pra fora, expõe a ferida aberta pro mundo. E a dor, é a principal responsável pelos textos que pegam na alma. Hoje me falta o combustível da dor. Queria escrever um daqueles textos sofridos, que fazem o outro querer atravessar a tela pra te dar um abraço e dizer que vai ficar tudo bem. Mas a dor de amor, há algum tempo, não dá as caras. Ela já passou por essa estrada, deixou cicatrizes, motivou palavras – e se foi. E hoje, eu nem faço mais ideia de como ela seja. Por mais que remexa lá no fundo pra encontrar algum vestígio de dor que desmanche em poesia, nada encontro. E hoje só consigo mesmo perguntar a velha questão “What’s not to love?”. Qual a sensação do “não-amar?” Porque hoje, metade de mim é amor e a outra metade também.

Mas não vim aqui bancar a vítima da moça de classe média que não tem com o que sofrer e que inventa um sofrimento. Só quem sofre nessa história, é a inspiração. De resto, vanglorio, louvo e, principalmente agradeço. E escrevo sim sobre minha felicidade também – porque a gente não devia ter vergonha do que é bonito, com o perdão daqueles que acham essa história de amor piegas demais.

E penso em quão sábios foram aqueles que afirmaram que a maior religião do mundo deveria ser o amor. Porque, ao contrário das outras, o amor não tem efeito colateral. O amor cura, faz bem pra pele, cobre olheiras, aumenta a auto-estima. Mas, acima de tudo, o amor traz uma coisa que perseguimos incansavelmente e que sentimento nenhum é capaz de trazer: aquele calor no peito.

 

Desse calor, todo mundo fala, mas ninguém explica. Ninguém consegue explicar aquela sensação de amornamento no peito sempre que vê ou se lembra do ser amado. Sim, porque não é um calor que queima que nem o da paixão. É um calor morninho, daqueles de banho no fim do dia, de Sol das 10 da manhã. E esse calor é tão contagiante, que se espalha pelo corpo. Eis que, de repente, você quer cuidar, abraçar, acolher. E o amor é tão poderoso que se você amar com força, ele ultrapassa os limites do peito. E é aí que você sente aquele amor imenso – por tudo, por qualquer coisa. Pelo cobrador do ônibus que passa tantas horas sentado no trânsito. Pelo cachorrinho na rua, com olhos pidões cruzando os seus. Pela mãe dando a mão pra filha – tão pequena, tão indefesa. Como não amar? E é aí que o amor faz mágica.

E pensando por esse lado, dispenso a inspiração divina que vem de bônus com a dor. Talvez os melhores textos, não sejam nunca exorcizados. Talvez ninguém chore com as palavras que o sentimento transportaria pra tela branca. Muito provavelmente, ninguém sentirá piedade do sofrimento dessa menina arquiteta, de classe média com problemas inventados. Mas a vida vale mais do que isso. E então, penso que quero mais. Quero muito mais desse amor gostoso. Quero mais da gente junto. Quero mais conchinhas. Mais taças de vinho. Mais cheiros no cangote. Mais enroladas na cama até tarde. Mais sextas-feiras. Mais colos depois de um dia cheio. Mais cafés na cama. Mais olhares e menos palavras. Mais roupas arrancadas. Mais almoços inventados. Mais beijos de boa noite. Quero mais desse desejo que não acaba, mais dessa alegria que transborda, mais desse calorzinho no peito que aquece tudo em volta.

E assim, finalizo desmentindo aquele que diz que tudo em excesso, faz mal. Esse, provavelmente, nunca sentiu o calor do amor pegando lá dentro.

SE ATIRE, OU CAIA FORA

Homens e mulheres se complementam, mas nunca vão se entender por completo. Falo isso por vários motivos muito claros no nosso cotidiano. Por exemplo, homem nunca vai entender a dor de um parto ou de uma depilação à cera assim como mulher nunca vai saber a dor de um chute recebido nas partes baixas ou de uma lamina vencida na hora de fazer a barba.

Ou aquela clássica dor de cabeça de uma mulher em TPM que homem nenhum entende e nem vai entender contra a famosa testosterona, culpada pela maioria das olhadas para aquela mulher gostosa que passa na rua! Para ambos os casos, isso se trata de uma questão hormonal, científica, não há como discutir, apenas aceitemos isso.

E por aí vai. Diferenças são inúmeras e exatamente por elas é que existe essa relação tão questionada, mas necessária. Os opostos se atraem, mas no momento em que se tornam iguais, podem se repelir. A questão é sim aceitar as diferenças de cada um, saber respeitar e conviver com isso, já que não podemos viver sozinho – faz parte da natureza humana ter alguém do lado, um conforto, um recanto, ou como muitos preferem chamar, uma alma gêmea.

Uma coisa que aprendi nas relações é a palavra momento. O que pode lhe atrair hoje, pode te repelir amanhã. Em um momento da sua vida você pode estar procurando beleza, sexo, prazer. Em outro o que você mais quer é alguém simplesmente para te ouvir, com conteúdo. Sexo hoje em dia é fácil, relação é um processo mais lento, mais seletivo. Faz parte do amadurecimento, das vivências, das pancadas que a vida te aplica e de onde você tira a vacina, a defesa para relações futuras. Tornamo-nos cada vez mais exigentes na medida em que aprendemos nas relações.

Queremos amor de verdade, apesar de hoje ele ser visto muitas vezes como algo comercial ou  pura supressão de carência. Temos acesso tão fácil às pessoas hoje em dia que nos permitimos errar com os outros e trocar no dia seguinte por uma nova relação. Hoje em dia existe até site de traição para quem quer fugir da rotina. E como tudo que é fácil perde valor, as relações de hoje são frágeis, vulneráveis, descartáveis em muitas vezes.

 

Aprendi que para haver amor, além do momento particular de cada um, é necessário amor próprio. Você precisa estar bem consigo mesmo para estar com outra pessoa. Caso contrário, se torna uma relação de posse, de insegurança. Ninguém aqui soma com ninguém, são duas partes diferentes que se complementam, que fazem trocas – literalmente relações.

Aprendi também que para haver amor devem existir alguns itens essenciais:
1) Admiração: trata-se de amor extremo. Deve haver quase que uma idolatria, uma veneração, um consumo diário de sentimento verdadeiro a quem se ama.

2) Química: sexo sem química não dá. Não existe relação sem esse elemento básico. Se isso não rola, não force a barra, parta pra outra.

3) Confiança: sempre dizem que devemos deixar as pessoas que amamos livres, pois somente assim temos a certeza de que cada um responde por si e aprende a ser responsável por isso. Fidelidade e lealdade são palavras que andam juntas.

4) Tolerância: é preciso ter compreensão. Saiba se adaptar e ceder dentro de uma relação. Amar alguém é também amar seus defeitos.

5) Sinceridade: podemos sim omitir algumas situações desnecessárias do dia a dia – já a mentira corrompe, denigre, não tem validade numa relação. É um buraco que aumenta na medida em que se cultiva isso. Uma hora a casa cai por isso.

6) Respeito: ser amigo de alguém é fácil, pois é um sentimento puro. Já em uma relação isso se torna mais difícil, pois a convivência é de outro nível, requer algo a mais. Nesse caso, respeito às diferenças é adjetivo básico.

7) Incorporação: Assim como calor e frio, uma relação deve ser feita de trocas, um deve incorporar um pouco do outro em si. Saber compreender, conhecer os simples detalhes de cada um, faz a diferença a longo prazo, pois são as pequenas coisas que marcam nossas vidas.

8) Surpresas: saber surpreender quem você ama é algo essencial. Todo dia é uma oportunidade para fazer alguém melhor. Um simples detalhe pode sim reforçar uma relação. Quão bom é viver de amor com aquele sentimento de que sempre pode surgir algo novo com esse alguém. Pequenas surpresas são como combustível em uma relação na trilha de um caminho a dois.

Por isso vai uma dica: se sua relação não tem a maioria desses itens, nem comece a namorar ou separe-se de uma vez. A traição é a fuga mais fácil pra quem não sabe lidar com isso. Esse medo de perder alguém é que deve fazer parte do seu dia a dia. Se a pessoa é tão importante para você, faça por merecer, não viva com dúvidas. Não mude seu jeito de ser por causa de alguém, apenas aprenda a se adaptar e cresça com isso.

Viva cada dia como se fosse o último, não leve uma relação que não dá certo adiante, só vai prejudicar ambos e alimentar um sentimento de consumo desnecessário. Vai fazer festa e curtir sua vida com os amigos enquanto isso! Mas se você tem certeza do que quer, te atira, surpreenda, consuma seu amor com alguém ao extremo.

UM CORAÇÃO QUASE ILESO

E aí que ele me convida pra ir num bar ouvir um jazz. Meu estômago virou do avesso. Como se a felicidade, difícil de digerir, tivesse se tornado, de repente, enjôo. E eu tentando inutilmente me convencer que tinha algum controle da situação. Dentro de algumas horas eu iria entrelaçar meus dedos em seu cabelo bagunçado, morder aquela boca-coração com nuances avermelhados que combinam perfeitamente com seu rosto magro, emoldurado pela sua barba-mal-feita tão bem feita.

Não consigo mais trabalhar. Não consigo pensar numa roupa que não me deixe gorda. Não consigo pensar em nada além de cada centímetro do meu corpo cabendo perfeitamente na ponta de sua língua.

Minha ansiedade vai corroendo o resto que a úlcera deixou.

O baterista toca alto, enquanto eu conto minhas histórias e ele finge que escuta. Me chama de doidinha e de linda na mesma frase e diz que tem medo de mim mesmo eu sendo delicada.

– Nossa, você é bonita de doer o olho. Sentamos na pior mesa, não consigo te beijar, vamos embora?

Vamos. É claro que vamos.

No caminho fico tentando arrumar uma desculpa pra mim mesma pra não entrar dentro daquele quarto, engolir ele inteiro com uma chave-de-perna e ficar ali, roendo seus ossos enquanto ele dorme.

E eu digo, claramente numa mentira sincera, que entro, mas só para ficar um pouquinho.

Toca o disco do Phoenix pela décima oitava vez com barulho de chuva artificial e ele olha pra mim querendo dizer  “Não me odeie quando eu for embora e pedir pra você me esquecer?” Eu, como que por telepatia, respondo que está tudo bem.

Mas, ia ser tão bom se ele ficasse.

Ficamos ali acordados até que a noite virasse dia. Rindo um da cara de bobo do outro, ele me chamando de maluca, eu ficando com os dedos dos pés amortecidos e perdendo toda minha dignidade em cada gargalhada que ele dava.

“Dorme, lindinha, amanhã você trabalha.” Então eu viro as costas e ele me abraça de um jeito que só ele saberia, e eu fico ali, tentando pensar em algum jeito de sair daqueles braços com o coração ileso.

HORA DE IR EMBORA

Algumas pessoas dizem que uma das coisas mais difíceis em relacionamentos é o primeiro “eu te amo”. Aquela velha história de quem vai falar primeiro e qual vai ser a reação do outro ao ouvir (e retribuir) a frase de efeito mais conhecida dos últimos tempos. Outros dizem (e eu concordo) que a coisa mais difícil não é o momento certo de dizer que ama, ou a primeira noite de sexo do casal, ou conseguir manter a convivência, ou controlar os ciúmes. Não, isso faz parte. A coisa mais difícil é reconhecer o momento exato em que um relacionamento acaba.

Se apaixonar é fácil quando comparado a renunciar uma história escrita a quatro mãos. É uma vida a dois que chegou ao dilema entre dar mais passos à frente e pisar em falso ou fechar a porta e deixar a chave na cabeceira. É complicado quando a gente reconhece que a relação já não tem mais futuro e não acrescenta em mais nada. Esse tipo de coisa não acontece de um dia pro outro, mas resulta de um processo que pode ter sido iniciado por uma razão qualquer. Uma das partes pode ter acordado e achado estranho aquele braço por cima do seu corpo durante a noite. Ou pode ter visto uma das fotos antigas e não ter se encontrado nos dias mais recentes com aquele sorriso de antes. São indícios delicados, frases quebradas, contatos minuciosos que indicam que chegou ao fim.

Sem ser sutil demais agora: desistir de uma relação que não tem mais profundidade nem se mostra prazerosa para um dos envolvidos não é tarefa fácil. É necessário pensar, repensar, pesar as coisas e tomar uma decisão que põe em risco milhares de situações para cada um deles. Existe aquela ligação sentimental, seja de carinho, seja de relembrar tudo o que foi vivido em conjunto. E daí vem aquela hora de pensar sobre o que seria melhor: continuar por comodidade (e abrir mão de novas descobertas e evoluções a dois para manter intacto algo que pode ser estrondoso caso termine) ou arriscar ir embora para tentar ser feliz. Tem também o caso de não deixar que o outro vá embora pelo sentimento de posse que ainda se tem. É mais fácil continuar numa relação vazia e furada do que permitir que a outra pessoa seja feliz sem você.

Não vou entrar no debate entre valer a pena ou não e, principalmente, se foi amor ou não. Mas chegou ao fim. É aquele momento em que você percebe que amor não é tudo numa relação. Que conviver, confiar, enxergar além do outro, manter vivo o dinamismo e as experiências cotidianas são muito importantes também. Ou que tudo isso é até mais importante que o próprio sentimento de amor. É hora de abrir mão de um presente estável e mergulhar na sensação de estar perdido no mundo novamente, principalmente se a relação atravessou anos ou tempo demais para ser destacada de maneira fácil. Quando a gente aprende a ir embora, a gente aprende a deixar pra trás coisas que fazem parte de nós ou que nos tornaram o que somos hoje. Talvez não seja tão difícil assim como eu digo. Talvez seja só um drama bobo de comédias românticas que quase ninguém vive por aí. Mas desalojar velhos conhecidos pode ser realmente um grande aprendizado.