Arquivo | maio 2013

CLICHÊS

potes

Você é aquele retrato na estante que eu insisto em olhar e não acreditar que tive tanta sorte. É a saudade que gosto de ter, gostosa de sentir, com gosto de querer mais. É a vontade que me pega numa manhã de trabalho sem graça e me incendeia numa noite em que não temos hora pra dormir. É mais um monte de definições que caberão nesse texto, mas uma coisa eu não consigo fazer. Não consigo dizer qual delas melhor te encaixa. Tão plural na minha vida, seria um pecado te resumir.
Ou não. Posso me apoiar no clichê de dizer que você é tudo. Que a ausência num dia quente me deixa fria, ou que num dia frio me deixa gelada. Imagina aquele caminhão de sentido que uma pessoa põe na vida da outra. É você na minha. Você é essa Coca-cola toda, só que não engorda. Você é importante hoje, imagina na Copa. Eu vou te tomar devagar. Porém, terão dias que engolirei teu amor, partirei pra cima com tanta força que me pegarei em impedimento. Você é o ataque que, na mesma linha da defesa, sai de cara pro gol. Só empurrar.
Bola fora todo mundo chuta. Não vou começar a prometer mundos e fundos. Saiba apenas que, no latifúndio que é meu coração, dividido entre tantos amigos, família e coisas que gosto de fazer, um dos maiores pedaços é seu. E esse relacionamento, regado a beijos, carinhos e uma boa dose de olhares provocantes, ainda nos dará muitos frutos. Hei de nunca cansar de provar do teu sabor. Gosto igual, jamais normal.
Sem enjoar, vai ser difícil desgrudar. Tirando esses momentos em que fico reflexiva, encarando a foto e gastando meu tempo pensando porque a saudade morde tão forte, a gente junto é só sucesso. Aliás, não é perder tempo. Se minha vida é dividida em antes e depois de você, é aceitável que eu fique cinco minutos te materializando e fechando os olhos e pensando e podendo sentir você deixando minha nuca arrepiada como nunca ficou (como sempre fica).
Sobe mais um frio pela espinha ao pensar em te perder. Bate na madeira três vezes, xô mau olhado. E acreditar que eu tive e ainda dou tanta sorte de você olhar pra mim e se manter interessado. Você é o retrato que eu olho, re-olho e é o clichê que eu gosto de ter. Cada beijo é um gol. É um arraiá no latifúndio. Sem cansar. Sem deixar de amar.

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