FINAL FELIZ

Ela, uma mulher de olhos grandes, de nome complexo e marcante, de sentimentos consistentes e pegajosos, que carrega dentro de si um desejo: o de encontrar outro desesperado por profundidades, alguém que se permita ser tão intenso quanto ela, alguém que a ame incondicionalmente, desesperadamente ou que só mostre sentimentos simples, recíprocos. Um príncipe encantado num cavalo branco, com uma rosa na lapela lhe estendendo a mão, é assim que sonha, é assim que imagina que virá seu grande amor, com toda a pompa e circunstância que sua imaginação de mulher boba lhe permite. Mas parece que só os cavalos haviam cruzado seu caminho até agora. Desde sempre fora apresentada a face dissimulada, enganadora dos homens.

 

Prefere sentir a vida como um conto de fadas, como uma novela com final feliz. Deseja um grande amor, um homem avassalador. Aposta alto e na maioria das vezes quebra a cara, na maioria das vezes o que lhe resta são pedaços de um coração já cansado de sofrer, mas que sempre encontra um jeito de se reinventar. Sofre por todas as sequelas deixadas pela vida e cada amor que lhe abandona a própria sorte, como se não tivesse sentimentos ou fosse de ferro, cria nela uma dor insuportável como de uma espada cortando-lhe a alma, como se as dores dos outros amores viessem todas de uma vez torturá-la, dores de um aborto de amor, dores que ela não quer sentir de novo mas sempre lhe surpreendem, lhe pegam de surpresa. Nessas horas olha pro  céu em busca de respostas, de alento, de paz, de novas forças e sempre é atendida, parece que o altíssimo entende seus sinais de emergência e com Ele é sempre mais fácil se refazer. Em suas inúmeras tentativas de acertar já havia errado muito de palpite. Parece que o destino não está de bem com ela, que sua sina é essa: amar errado, amar quem não a quer, amar quem não foi feito pra ela. Em seus vinte e poucos anos já tinha achado o grande amor de sua vida umas quatro vezes, mas era só impressão, era só seu coração insistindo em seu objetivo, eram só seus olhos enganados com a beleza exterior, eram só seus ouvidos se enchendo de promessas absurdas e da boca pra fora. Enfim, leva a vida com seu histórico de tentativas amorosas falho, tentativas erradas mas tentativas. O que importa em tudo isso são as experiências que tira de cada relação, com cada um aprendeu uma coisa, com cada um fez história. E quando chegar seu príncipe encantado num cavalo branco, com uma rosa na lapela, lhe estendendo a mão, seu príncipe que lhe roubará o folego, os sentidos, as palavras, quando chegar, estará pronta, montará em seu cavalo sem olhar pra traz, sem pensar duas vezes e o “felizes para sempre” em fim acontecerá e lhe salvará de sofrer.

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