CIÚMES

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Ninguém gosta de admitir que sente ciúmes, mas, ao mesmo tempo, todo mundo sente. Se você não sente, pode parar de ler esse texto. Ele não foi feito pra você. Entretanto, se você, assim como eu, sente esse sentimento maldito e abençoado, junte-se aos bons. E aos maus, que usam qualquer desculpa para justificar seus atos ciumentos. Eu defendo o direito de sentir ciúmes. Aquela coisa saudável de alfinetar o parceiro sobre qualquer coisa suspeita que ele diga, ainda que seja tudo fruto da nossa imaginação. Só que de uma forma leve, que demonstre o quanto você gosta e que, no fundo, represente o quanto a pessoa é importante na nossa vida. Imagina se você não teria medo de perder alguém seja lá pro que for. Ter esses ataques bobos é mais um jeito de dizer “hey, você é especial pra mim!”. Pode surgir por “n” motivos, ou por nenhum mesmo. O trabalho que afasta as pessoas, uma atividade que gera um certo conflito, ou até uma simples noite em que um dos dois resolve sair com os amigos. Isso sem a gente falar nos ex-namorados que rondam as nossas vidas como fantasmas e pseudo-amigos sem moral nenhuma que dão em cima de quem está com a gente (ainda que algo que ocorra somente na nossa cabeça). Veja bem, não quero que ninguém saia por aí dizendo que é válido ter ciúmes e por isso vão começar discussões sem pé nem cabeça. Ciúme é bonitinho quando para e não cresce e não vira algo pior. Nada justifica uma agressão, ainda que apenas verbal, a alguém. Mostrar que se importa, ter uma rusguinha aqui ou alfinetada ali é, sim, compreensível, mas deixem as histórias horrorosas de atrocidades cometidas em nome do “ciúme” para as páginas policiais. Isso deixa de ser amor, deixa de ser qualquer traço de afeto. Isso é doença. Se acabar rolando uma briga, tudo bem. Faz um esforço para pedir desculpas e ficar numa boa. Aproveita pra ter aquele sexo gostoso de reconciliação e segue a vida. Manere-se. Você terá sempre o direito de sentir as coisas, mas suas liberdades terminam quando começam as do parceiro. Apimente a relação com ciuminho, mesmo bobo. É legal saber que alguém tem ciúme da gente. Só não exagere no tempero. Tem gente, como eu, que não suporta comida muito condimentada. 64742_560229573997902_1757313555_n

SEXO FRAGIL???

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Foi-se o tempo em que nós, mulheres, éramos escolhidas, mas nunca podíamos escolher. Hoje já é mais que natural: se uma mulher tiver vontade, ela pode – ou melhor, deve – chegar em um cara. Afinal, é uma delícia tomar a iniciativa. Mais que um deleite, é uma conquista. Mais ação, menos força do pensamento. Menos mandinga, simpatia ou qualquer coisa que traga o ser amado em menos de sete dias. Temos e podemos usar nossas lindas pernas com meia-calça fio 20 e salto 15 para caminhar e ir atrás do que queremos. Porque, antigamente, com as regras morais que nos haviam sido impostas, dependíamos totalmente das forças da natureza para que algo acontecesse.

Isso me lembra os bailinhos da quinta série, sabe? As meninas levavam um prato de doce ou salgado, e os meninos uma garrafa de coca-cola de 2 litros. Aí as garotas ficavam sentadas no salão, uma do lado da outra, enquanto rolava alguma música pop romantiquinha grudenta dos anos 90 – provavelmente “More Than Words” ou ‘Iris” – e esperavam que os meninos, timidamente, caminhassem em sua direção e puxassem-nas pela mão para dançar o dois-pra-lá-dois-pra-cá com aquele combo desajeitado de mãos no ombrinho/mãos na cintura. Ou seja, eram eles que tinham o poder de escolha. A nós restava apenas ficar parada como uma estátua em exposição, usando a força do pensamento, mentalizando o nome do garoto paquerado e torcendo para que ele nos escolhesse – o que raramente acontecia.

Agora a coisa mudou: podemos continuar sendo conquistadas, mas também somos capazes de conquistar. E isso é uma evolução tanto para as mulheres quanto para os homens. Afinal, eles devem se sentir aliviados por não carregar mais o peso nas costas de sempre caber a eles ter que tomar a iniciativa. Não que busquemos como ideal a inversão total dos papéis – longe disso. O que almejamos é a construção de novos papéis, nos quais homens e mulheres possam exercer seus desejos de forma livre e igualitária. E que a mulher não seja subjulgada por romper com o papel que lhe foi imposto e que não lhe cabe mais. Mas será que conseguimos mesmo exercer esses nossos desejos? O grande problema é que, sempre que você chega em alguém, a possibilidade de tomar um fora é iminente. E nem todas as mulheres sabem lidar com essa variável.

Já escutei de várias amigas a clássica indignação após um toco tomado: “Acredita que ele me dispensou?”, proferida com um tom incrédulo típico de quem se esquece da pequena variável citada acima. Peraí: assim como quando um cara chega em você e você tem o direito de dar ou não abertura e querer algo mais, o inverso também é válido. Não é porque temos a iniciativa que estamos imunes de quebrar a cara. E com isso, cai abaixo a teoria de que “chegar em homem é fácil, porque, se você for minimamente bonitinha, você não leva fora”. Então quer dizer que o homem deve aceitar qualquer par de peitos que bater à porta? E os sentimentos e compromissos que, assim como qualquer ser humano, eles também têm?

O que muitas mulheres não entendem é que é preciso maturidade para lidar com a rejeição. Talvez, um agravante histórico que influencie nessa falta de preparo feminina ao encarar o monstro da rejeição seja todos os anos em que a mulher interpretava o papel de donzela indefesa presa no castelo esperando pelo príncipe que iria resgatá-la. No posto de “ser conquistada”, era a mulher que rejeitava, ela que decretava o “não” quando achava oportuno. Além disso, a recusa dela também era parte do jogo de conquista, era parte do “charme” bancar a difícil. Agora, além de desfrutar o bônus, elas têm que aprender a lidar com o ônus do feminismo. Não basta criar coragem o suficiente para chegar em um cara, é preciso também maturidade emocional, plenitude espiritual e autoestima elevada para segurar o possível “não”. Tudo resume-se um uma palavra: segurança. A mulher tem que estar segura de si e saber que escutar um “não” não significa o fim do mundo.

Te broxei de qualquer tentativa de tomar a iniciativa? Não fica assim, não. O monstro da rejeição nem é tão feio quanto o pintam. Aliás, a beleza de todo o início da (fase da sedução) está exatamente na incerteza das mãos geladas e trêmulas de um coração ansioso. Fala verdade, o que seria do friozinho na barriga, na hora da conquista, se você já soubesse que a resposta final seria um “sim”?

UM BEIJO…

BEIJO (1)

A gente não devia ter dado o primeiro beijo. Aquele beijo bom, com gosto de quero mais e molhado de clichês que depois invadiriam nossas rotinas, deveria ter sido evitado. Como nos beijamos, passamos para a expectativa do próximo encontro. Que deveria ter sido evitado também. Aquele encontro bom, gostoso, tranquilo, tudo porque você me tratava bem e me queria por perto. Nunca poderia ter ocorrido. Passamos de fase.
A primeira vez que dormimos juntos, de conchinha, abraçados, essa noite não tinha que ter existido. Ali, duas almas se tocando e se entendendo pelo toque os dedos dos pés se davam. Essa noite, se abdicada, não teria nos levado à primeira transa. Aquela cheia de vontade em que despejávamos muito de nós e de toda intimidade que tínhamos adquirido um com o outro. Não podíamos ter feito aquilo. Pulamos de fase.
O encontro com os seus pais, que eu tanto temia, deveria ser riscado da história. Não que eu tivesse medo que ficasse sério, ou mesmo que tivesse, mas tiraria de nós a expectativa por esse mesmo lance de seriedade. Não deu. Logo depois veio mais um encontro, com mais uma noite, mais beijos e mais transa. E mais a gente se afundava dentro de nós. Suponho que tudo isso não deveria ter acontecido. Mas aconteceu.
Não podíamos ter sentido saudade, não deveríamos ter nos achados completos um com o outro, não era justo criar sempre mais e mais expectativas. Teríamos evitado os meus erros, as suas mágoas, nossas angústias e todo o choro que veio depois. Aquele último encontro, antes da gota d’água, era ali que o destino deveria ter mudado. Mas, com mais um deslize aqui, se perdeu esse caminho.
Tudo não deveria ter acontecido porque eu queria evitar ao máximo chegar onde estou hoje. Não devo, não posso, não quero que aconteça, que ocorra, queria poder fazer diferente. Mas não dá. Eu aqui, do lado de toda a saudade que não deveria carregar, te amo com toda a força que meu coração consegue suportar.

O TEMPO COMO REMÉDIO…

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Aí o cara diz que desiste. Que tentou mostrar que ama, que não sabe como fazer pra outra pessoa confiar, que quer que ela seja feliz e começa a bancar a vítima dizendo que não soube mesmo amá-la, que ela merece outra pessoa. Nossa. Pára. Às vezes, simplesmente, não deu certo. Dói, é chato, a gente fica na fossa, mas como já disseram milhões de vezes, passa. Aí o cara manda indireta. Chega ao cúmul…o de virar uma criança em corpo de adulto e começa com todas as infantilidades que existem. Evita o contato, vira a cara se encontra na rua, fala mal dela pros amigos. A ferida sempre aberta e o choro sempre solto. Acontece. As pessoas reagem de formas diferentes aos encontrões da vida. Tem gente que chora baixinho, pra si, e tudo bem. Tem quem faça isso aí. E não se assustem se eu trocasse todos os “cara” por “ela”. Mulher também reage assim. Até pior. Só não concordo com quem pensa em fazer mal. Coisa estúpida. A outra pessoa querendo seguir e vem uma pessoa idiota e pensa “se não for comigo, não vai ser com ninguém”. Hã? Tem sentido isso? NÃO! Mil vezes não. Persista no amor, mas se pra um dos dois acabou, não vai ser fazendo mal a ela que o sentimento pode voltar. Muito pelo contrário. O que poderia ser um carinho pelas coisas boas que tiveram vira raiva. Desiste, amigo. Tira o time de campo e se prepara porque outra pessoa pode até já ter entrado na sua vida e você não viu. Agora, segue. E deixa o outro seguir. Se houve um amor ali, mesmo que agora seja nada, guarde o que passou. Junto com qualquer ato de agressividade você destrói, não apenas a história que teve com alguém, mas a vida de muitas pessoas que cercam quem você diz que ama tanto.

QUEBRA – CABEÇA

como-monta_1350960028807Comecei um quebra-cabeça, quer dizer, começaram por mim. Já o peguei com algumas peças no lugar, outras me deram e algumas eu achei perdidas por aí. Fui tentando, certas não encaixavam e várias estavam só fora de posição. É preciso ter criatividade em alguns momentos para poder colocar todas juntas.

Esse que faço não tem caixa com uma figura nem manual de melhor disposição.

É tudo na base da tentativa e erro. Erros normais, erros sutis, erros grosseiros. Todos estão lá. Peças que colocamos de qualquer jeito, acabamos estragando, tem aquelas que a gente nem vê, ficam embaixo de outras escondidas. Ah, tem aquelas que parecem que cabem, mas não servem pra nada.

Assim, vou aprendendo que, no quebra-cabeça da vida, o lugar das peças não é o mesmo pra sempre e que certos encaixes ficam gastos sem aceitar mais nenhuma peça no lugar. Pai, mãe e melhores amigos não podem ser substituídos. Um grande amor também não. Outras peças ficam frouxas, não ficam boas, é estranho.

Sei que, um dia, não haverá mais nada a ser acrescentado ao meu puzzle. Quando essa hora chegar, quero poder olhar pra tudo que construí e sorrir satisfeita com todos os encaixes que reuni. Satisfeita com a vida.

TRANQUILAMENTE

Vai ser difícil. Aliás, muito. Se fosse por motivos pra desistir, nem precisaria pensar. Vamos cada um pro seu lado. Se for pra pensar nos motivos que ainda nos unem, nada será capaz de nos convencer do contrário. Somos estranhamente ligados por um destino que parece nos separar a cada besteirinha. Só por não sabermos aproveitar a oportunidade que ele nos deu de ficar juntos. A verdade é que o amor coloca uma pressão enorme em nossos ombros. Não somos mais apaixonados. Não somos mais no sentido de que passamos daquela fase boba em que se ri de tudo e há descobertas. Aquela paixão passageira. Aquela coisa de ter interesse até conseguir algo e depois perder a graça. A gente ainda descobre que temos um tanque enorme de amor pra queimar, mas, repara, eu já até sei que ficar longe de você é uma grande merda. Com o passar do tempo, vamos tendo chance de mostrar, para tudo e para todos, que nos gostamos de verdade. Duvido que esses outros casais nunca tenham brigado. Duvido que nunca tenham ido dormir de cabeça quente, que nunca tenham olhado pra outras pessoas. Isso tudo passa, e a gente se dá conta de que quem vale a pena mesmo é quem está do nosso lado. Espero saber o que fazer da minha vida. Espero que você também saiba o que fazer da sua. Entretanto, espero que saibamos o que fazer da nossa. A interseção onde nossos caminhos se encontram, que ocupa cada vez mais espaço em mim, me preocupa. Tomara que você não se importe quando eu te pressiono para falar de nós. Sei que eu também fujo de falar disso. Vamos combinar, DR é um saco. Eu desligo, você liga. Eu fecho a porta, você chuta. Eu vou atrás de você, você se esconde. Eu faço surpresa, você não gosta. Você me pede um beijo, eu viro o rosto. Você me conta um plano, eu rio. Eu conto um sonho, você ri. No meio dos nossos erros e defeitos, a gente se ama. Somos comuns. Mais um casal no meio da multidão. Então, vamos com calma. Devagar. Eu não tenho pressa mais pra nada. Já achei você, já tenho você, e agora o plano é te manter na minha vida. Talvez a gente aprenda junto, talvez não aprenda nada. Talvez a gente siga o mesmo caminho, talvez os caminhos se separem. Aí, talvez você volte, talvez eu te procure e não dê certo. Talvez eu seja tudo que você sonhou, talvez você acorde e descubra que não. Talvez você chore no meu ombro, talvez me cubra de insultos por um erro. Talvez nada disso, só um amor tranquilo. Talvez, quer dizer, com certeza a gente não sabe. Só sabemos que somos comuns. E que devemos levar nosso amor com calma.

UM COMEÇO…

Você vai ser arrepender de ter me dado o primeiro beijo. Mas vai tolerar o segundo, gostar do terceiro e se entregar daí em diante. Você vai desejar não ter me conhecido. Depois vai se acostumar com a minha presença e, no final, vai se perguntar como viveu sem mim até aquele dia. Você vai sonhar comigo uma vez e achar que é pesadelo. Vai sonhar a segunda e achar que é perseguição. Vai sonhar a terceira e desejar continuar sonhando ou, então, acordar e dar de cara comigo. Você vai imaginar que eu não deveria estar no seu presente, não vai me querer no seu futuro, mas vai se perguntar como contar o passado sem falar de mim. Você vai esconder um monte de coisa de mim, vai contar algumas coisas, mas depois vai se abrir. Mas terá os segredos normais de qualquer pessoa. Você vai querer me matar. Vai querer me bater. Vai querer me surrar. Vai querer me abraçar. Vai querer me amar. Você vai querer aprender a me deixar ir, mas saberá que não tem como não ficar contigo. Você vai saber, perceber, notar e aprender um monte de coisa. Só um detalhe você não aprenderá: a me amar. Isso você sentiu desde a primeira vez. Tudo bem que no começo era misturado com uma certa raiva. Mas ele sempre esteve lá. – E quem briga contra o amor?